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:: Resenha 459 :: "Princesa das Cinzas", Laura Sebastian

Sinopse: A jovem Theodosia tem seu destino alterado para sempre depois que seu país é invadido e sua mãe, a Rainha do Fogo, assassinada. Aos 6 anos, a princesa de Astrea perde tudo, inclusive o próprio nome, e passa a ser conhecida como Princesa das Cinzas. 
A coroa de cinzas que o kaiser que governa seu povo a obriga a usar torna-se um cruel lembrete de que seu reino será sempre uma sombra daquilo que foi um dia. Para sobreviver a essa nova realidade, sua única opção é enterrar fundo sua antiga identidade e seus sentimentos. 
Agora, aos 16 anos, Theo vive como prisioneira, sofrendo abusos e humilhações. Até que um dia é forçada pelo kaiser a fazer o impensável. Com sangue nas mãos, sem pátria e sem ter a quem recorrer, ela percebe que apenas sobreviver não é mais suficiente. 
Mas a princesa tem uma arma: sua mente é mais afiada que qualquer espada. E o poder nem sempre é conquistado no campo de batalha. 

Se existe um gênero que eu aprendi a gostar desde que o Viciados em Leitura nasceu, é a fantasia adolescente. Antes do blog, meu contato com esse gênero era restrito a apenas duas grandes obras: Senhor dos Anéis e Harry Potter. O primeiro é fantasia medieval e o segundo tem um lugar tão especial no meu coração que eu não sou capaz nem de classificar. Mas com o blog, eu comecei a ter contato com esse estilo de livro que mistura fantasias, princesas, poderes, luta, e uma mistura de fantasia com distopia, com romance, que da certo e a gente acaba ficando viciado (sem trocadilho) em virar a página. Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu quando comecei a ler Princesa das Cinzas. O que me atraiu nele foi o subtítulo “Para os fãs de Rainha Vermelha”, mas o que me fez ficar foi a complexidade de sentimentos dos personagens! Quer saber mais? Vem ler a minha resenha! 

Aos 6 anos de idade, Theodosia perdeu tudo. Deixou de ser uma criança inocente, amada por todo o seu povo e viu a sua mãe ser morta na sua frente (ainda segurando a sua mão), foi torturada até literalmente negar o próprio nome e identidade como princesa de Astrea e, por fim, assistiu o seu povo ser escravizado e morto pelos invasores karlovaxianos, interessados nas minas de Pedra dos Espíritos, essas pedras, dependendo do elemento ao qual estão associadas podem provocar alguns efeitos mágicos. Por exemplo, a pedra da terra da força, da água, beleza. Porém, e guarde essa informação, existiam, no reino da Astrea, os Guardiões, homens e mulheres abençoados pelos Deuses e que quando manipulavam essas pedras eram capazes de realizar grandes feitos. Guarda isso e vamos voltar para a Theodosia, princesa de Astrea.

Mesmo após uma década, meus ossos ainda protestam contra aquela postura. Meu corpo se lembra – mesmo quando o restante de mim esquece – que não fui feita para reverenciar.

Agora, 10 anos depois, ela é conhecida como Lady Thora, a Princesa das Cinzas, mantida no palácio, em uma gaiola dourada. Thora carrega na pele as marcas dos inúmeros espancamentos que sofreu publicamente a cada tentativa de rebelião que seu povo tentou, dos abusos que sofreu não somente nas mãos do Kaiser (uma espécie de rei do povo invasor), mas de todos que moram no castelo. Para dar um exemplo apenas, em um dado momento do livro, ela lembra que apesar de ter estudado junto das outras crianças da corte dos karlovaxianos, ela era constantemente agredida pelas crianças, chegando ao ponto de um deles ter enfiado a cabeça dela na água, até ela desmaiar e só não morreu porque uma outra criança interveio e os professores não só não falavam nada, como aprovavam esse tipo de comportamento. Essa única criança que mostrou alguma compaixão por ela, é hoje a sua única amiga, Crescentia, mas ela também é a filha do homem que, literalmente, cortou a garganta da mãe dela.

Mas não creio que o kaiser o escolheu pensando em moda. Com os ombros e as costas expostos, minhas cicatrizes ficam à vista e sua mensagem pode ser compreendida com mais clareza.
Astrea está derrotada. Astrea está destruída. Astrea não existe mais.

A história começa a ganhar outros contornos quando Ampelio, um dos rebeldes mais conhecidos, o último dos Guardiões (ele usava uma pedra do fogo) e um homem que era tão próximo da mãe de Thora, para muitos ele seria inclusive seu pai, é capturado. E como uma nova forma de tortura, algo é pedido a Thora, que não vou revelar, que vai servir como o ponto de virada na jornada da garota, ao ponto de que, ela vai começar a rejeitar o nome Thora e das cinzas vai fazer ressurgir Theodosia, não mais uma princesa, mas uma rainha que precisa lutar pelo seu povo, não com armas e lutas, mas com a cabeça e aí o livro vira um grande jogo de xadrez psicológico com muita coisa em risco!

Existem mais coisas a respeito de Søren do que me permito pensar e, por mais que isso me torne uma traidora, eu gosto dele.
Quando chegar a hora, vou matá-lo, de qualquer maneira. Só é provável que eu me sinta um pouco mais culpada do que pensei que me sentiria. 

E se você curte triângulos amorosos complicados, se está órfã de Mave/Mare/Cal, pode pegar esse livro para você e já prepara o seu coração. Theo ao mesmo tempo e de formas diferentes, acaba se apaixonando por dois meninos bem diferentes e presentes na sua vida. Soren é filho do Kaiser, é a imagem esculpida do seu pai e o maior torturador da menina, porém, ela se vê encantada por sua bondade e solidão, apesar de saber que não pode ou deve se apaixonar por ele. Por outro lado, reaparece Blaize, seu amigo de infância, uma lembrança viva da época em que ela foi feliz e também de tudo que ela perdeu com o cerco, e que agora, Theo descobre que ele é um guardião (sem treinamento) da Terra e que passou anos com o Ampelio. É na força e no sofrimento dele de Blaize que ela tira forças para seguir no jogo que pode salvar toda Astrea. Se você conhece um triângulo mais complicado do que Soren/Theo/Blaze me apresenta?

Mas não estou pronta para quanto quero que isso aconteça. Não como Thora, a garota destroçada, nem como Theodosia, a rainha vingativa. Simplesmente Theo, as duas e nenhuma delas. Simplesmente eu. E talvez aqui, sem ninguém para nos ver além das estrelas, eu possa ser essa garota por apenas um momento.

Aliás, é nesse ponto que o livro se destaca, porque ela brinca com a emoção do leitor ao brincar com as emoções da protagonista. É fácil ter empatia pela Theo, por tudo que ela sofreu, mas, ao mesmo tempo, também é fácil ter raiva dela por ela ter demorado tanto a agir e até mesmo hesitar em tomar medidas drásticas ou colocando outros em risco. A personagem está dividida entre lutar e o medo de falhar (e morrer), e ao mesmo tempo também, sabe que tem que lutar pelo seu povo, mas começou a nutrir sentimentos por alguns dos seus captores e tudo isso é potencializado pelo simples fato dela ter apenas 16 anos e ter uma responsabilidade enorme sobre os ombros, uma coroa de cinzas na cabeça para lembrar suas origens.

Um exemplo de toda a luta interna da Theo, e um bem simples que não vai te dar spoiler, é o fato dela não poder usar as Pedras de Espíritos por ser uma rainha e a elas não era permitido usar tal força. Mas sempre que ela se encontra em uma situação crítica algumas manifestações com o fogo acontecem com ela, é tudo muito sutil, mas tenho certeza que a autora vai explorar isso mais para frente na série, até porque é um exemplo bem concreto dos dilemas da personagem: usar poderes e trilhar o caminho fácil e assim não encontrar a mãe no além vida ou lutar como uma rainha e um dia rever a mãe.
– Não são as coisas que fazemos para sobreviver que nos definem. A gente não se desculpa por elas – diz ela baixinho, sem tirar os olhos dos meus. – Talvez eles a tenham ferido, mas, por causa disso, você agora é uma arma mais afiada. E está na hora de atacar.

Comparar esse livro com Rainha Vermelha ou até mesmo com a saga que é a vida de Sansa Stark, talvez seja reduzir muito tudo o que esse livro é. Semelhanças existem, mas são poucas, a grande vantagem de Princesa das Cinzas é justamente o fato dele ser ao mesmo tempo extremamente violento, e usar e abusar do desenrolar psicológico dos personagens. Theo/Thora/Theodosia é tão complexa quanto seus nomes, é tão cheia de camadas e nuances que nos resta devorar para saber o que vai acontecer a seguir e como ela vai reagir aos fatos. Se você comprou e ainda não leu, ou vai comprar esse livro, prepare-se para uma leitura brutal, crua, visceral e ao mesmo tempo apaixonante, de tirar o fôlego e até mesmo sensível. E que venha Lady Smoke (não leiam a sinopse do segundo livro, o spoiler ali é pesado!)

Nome: Princesa das Cinzas 
Série: Princesa das Cinzas #1 
Autora: Laura Sebastian 
ISBN-13: 9788580418934 
ISBN-10: 8580418933 
Ano: 2018 
Páginas: 352 
Compre aqui: Amazon
Classificação: 

Sobre a autora: 

Laura Sebastian nasceu e cresceu no sul da Flórida e sempre gostou de contar histórias. Depois de se formar em artes e design, ela se mudou para Nova York. Quando não está escrevendo, está lendo, assando biscoitos ou bolinhos, comprando mais roupas do que cabem em seu armário ou forçando seu preguiçoso cachorro Neville a dar um passeio. Princesa das Cinzas, seu livro de estreia, é o primeiro da trilogia.

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