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:: Resenha 433 :: "Ele", Sarina Bowen e Elle Kennedy


Sinopse: James Canning nunca descobriu como perdeu seu melhor e mais próximo amigo. 
Quatro anos atrás, seu tatuado, destemido e impulsivo companheiro desde a infância simplesmente cortou contato. 
O maior arrependimento de Ryan Wesley é ter convencido seu amigo extremamente hétero a participar de uma aposta que testou os limites da amizade deles. 
Agora, prestes a se enfrentarem nos times de hóquei da faculdade, ele finalmente terá a oportunidade de se desculpar. Mas, só de olhar para o seu antigo crush, Wes percebe que ainda não conseguiu superar sua paixão adolescente. 
Jamie esperou bastante tempo pelas respostas sobre o que aconteceu com seu relacionamento com Wes, mas, ao se reencontrarem, surgem ainda mais dúvidas. 
Uma noite de sexo pode estragar uma amizade? Essa e outras questões sobre si mesmos vão ter que ser respondidas quando Wesley e Jamie se veem como treinadores no mesmo acampamento de hóquei. 

Representatividade, palavrinha grande, né gente? E deixa eu contar para vocês que ela representa ainda muito mais. Dado o cenário geopolítico do mundo atual, onde nunca foi tão difícil não ser dito “normal”, representatividade é, sem dúvidas, um puta de um palavrão e é levantando essa bandeira que a Paralela lançou, no final de junho, o livro Ele – Quando Ryan conheceu James, afirmando ser o seu primeiro livro LGBT. Só que Ele vai além de ser só um romance homossexual, ele é um romance típico do gênero Novo Adulto, que aborda os medos, anseios, dúvidas e descobertas típicas de quem está acabando de sair da faculdade e tendo que encarar a vida adulta. E os protagonistas e agentes desses sentimentos são dois amigos de infância, e se eu não tivesse falado lá no começo que se trata de um romance LGBT, sobre representatividade, a descrição serviria para uma infinidade de livros e aqui ela é usada para o romance do Wes e do Jamie. Dois homens. E isso é sensacional, não é mesmo?

Antes de mais nada, vou limitar essa resenha para falar somente desse livro, mas prometo fazer um texto sobre Representatividade, assunto esse que não é de hoje que quero tratar aqui no blog e faltou o motivo para tirar do plano e ir para o papel. E caso você veio do futuro e esse artigo já saiu, dá uma pesquisada aqui no blog, esse assunto é sério e precisamos falar sobre isso e não somente na questão da sexualidade, mas como um todo, beleza? Então beleza, vamos falar de Jamie e Wes, meus dois novos amorzinhos do coração para a vida toda! 

Eu, por outro lado, tenho os mesmos pontos fracos de sempre. Continuam lá enquanto olho para o telão. Enquanto assisto a Jamie Canning parar outro tiro vertiginoso. Enquanto admiro a precisão graciosa e mortal com que se move.
Minha fraqueza é ele.

Ryan Wesley, ou somente Wes, sempre sonhou em ser jogador de hóquei profissional, atacante da Northern Mass, com faro para gol e já destaque no seu time universitário, está com tudo e com vaga certa para jogar em Toronto. Wes não se assumiu para o seu time como gay, mas também nunca fez disso um segredo, nunca deixou de pegar um gatinho numa festa, de se divertir e ser um universitário de 22 anos. E seu time, apesar de nunca terem falado abertamente sobre, também nunca falaram nada abertamente contra. Seu melhor amigo até mesmo lhe dá conselhos sobre os peguetes dele, porque o Wes gosta de uma coisa casual, nunca namora, prefere ficar com os caras nas casas deles para ser mais fácil ir embora e não se apega a ninguém, e isso tem um motivo, ou melhor dizendo um nome: James Canning. 

Jamie custumava rir desse jeito comigo. Não me esqueci do som da sua risada. Profunda e rouca, melódica, despreocupada. Nada deixava Jamie Canning para baixo. Ele era o típico californiano, descontraído e relaxada.
Não tinha me dado conta do quanto sentia sua falta até esse momento.

James - Jamie - Canning é goleiro do time do hóquei da Rainier, e embora tenha passado as últimas temporadas na reserva, ele é bom, e agora em seu último ano, finalmente terá a chance de ser titular. Vivendo uma amizade colorida com a Holly, Jamie é o caçula de 6 irmãos em uma família meio hippie californiana e sempre leva tudo numa boa. Seu temperamento é sempre tranquilo, calmo, menos quando se trata de Ryan Wesley. Os dois eram melhores amigos desde muito novos, desde que foram pela primeira vez para o acampamento de hóquei Elites e dividiram um quarto, e embora a amizade tenha começado com um pouco de rivalidade, logo os dois se tornaram inseparáveis por anos, até que no último verão no acampamento, antes de começarem na universidade, Wes nunca mais falou com Jamie. 

Estou de costas para o bar, e meu quadril encosta nos tijolos molhados. Fico encurralado. Tem uma parede dura atrás de mim e uma igualmente dura na minha frente. Ênfase no dura.

E assim, sem nenhum motivo aparente para Jamie, ele ficou sem notícias do seu melhor amigo por 4 anos, até que os dois times vão finalmente se encontrar para a disputa do quadrangular final do campeonato. A última lembrança que ele tem do seu melhor amigo foi de uma certa aposta e para Wes o final dessa aposta mudou tudo, tanto que ele correu de Jamie, sem olhar para trás. Eu vou guardar o que rolou nessa aposta, para saber você tem que ler! Agora, com a perspectiva de se encontrarem, os dois têm reações bem diferentes sobre o fim de semana. Só que, quando eles finalmente se encontram, além de um papinho rápido no bar, onde não colocam nada na mesa, além de cordialidades, a amizade de antes não retorna e sabe quem fica mexido com essa situação? O Wes! 

Desejo é uma questão de química. E numa aula de bioquímica eu aprendi que somos todos átomos carregados de eletricidade, indo de encontro uns aos outros.
Meus elétrons se acenderam para ele esta noite. Partículas colidiram.

Para ele, esse reencontro foi mais forte do que ele deixou transparecer para o seu antigo amigo. E deixa eu te dar uma informação que as autoras dão bem no começo do livro: Wes é apaixonado pelo Jamie, que é… Hétero! Foi por isso que ele correu e pensando nisso ele decide dar mais uma chance para essa amizade e aceita passar o verão em Lake Placid, como treinador do mesmo acampamento que ele e Jamie se conheceram. E como o Jamie trabalha lá todo verão, os dois vão ter uma chance de colocar as cartas na mesa e reviver essa amizade, até mesmo descobrir se não existe mais alguma coisa nessa trama dos dois. 

Minha vida é caótica desde que consigo lembrar, e sempre tive que lidar com isso sozinho. As críticas dos meus pais, a confusão com minha sexualidade. Mas, por seis semanas todo verão, eu não estava sozinho. Tinha Jamie, meu melhor amigo, meu porto seguro.

Bom, não vou falar mais do que isso sobre o enredo, vou deixar para vocês descobrirem lendo e recomendo muitíssimo a leitura desse livro se você gosta de romance Novo Adulto, como eu falei lá no começo, Ele tem todos os elementos que gente adora nesse gênero. Tem o casal que você torce para ficarem juntos e está vendo que ele tem tudo para dar certo, falta só os dois perceberem. Tem aquele medo da vida adulta, se os caminhos estão certos ou se talvez não seja hora de se arriscar, e aquele drama de será que ele me ama como eu o amo? E junto a todos os elementos clássicos do gênero, as autoras ainda falam sobre preconceito e homofobia, sem didatismo, sem alarde e de forma certeira. Eu amei a forma como elas abordaram o assunto e você se sente tão envolvida com eles, que quando rola um caso de intolerância você sente e quando o rola um momento de aceitação… Confesso que eu me emocionei! 

Queria poder esquecer o comentário - e o olhar - preconceituoso, mas continuam comigo. Me atormenta. Ao mesmo tempo, sinto orgulho de Wes. Não, é mais uma admiração, porque é preciso ser muito forte para suportar esse tipo de coisa. Os próprios pais se recusam a aceitar a sexualidade dele, mas nem isso o abala.

Eu não posso negar que já li o livro com os olhos brilhando, depois de Amores Improváveis, sou capaz de ler até mesmo a lista de compras da Elle Kennedy. O mistério era descobrir sobre a escrita da Sarina Bowen e elas não me decepcionaram. Eu amei o livro, do enredo até os personagens é tudo perfeito, tudo na dose certa, incluindo as cenas quentes e... vamos falar delas: meu amor, leia esse livro quando o clima estiver frio, caso a sua região no Brasil esteja passando por uma onde de calor, liga o ar, o ventilador, pega gelo… Se prepara que a coisa aqui é fervente e se você gosta de um romance com pegada, coloca na lista, já pega para ler e se junta a minha mentalização para que o lançamento de "Us" (segundo volume do romance dos meninos) e "Wags" (spin-off das autoras dentro desse mesmo grupo de amigos e família) não demorem!



Em resumo, Ele tem tudo que eu adoro em um romance, os dramas, uma trama crível, personagens que amei torcer para ver felizes, a escrita sempre maravilhosa da Elle e já estou listando a Sarina como uma autora que quero conhecer mais, e muita pegada quente, tudo isso amarrado com uma bela lição sobre o amor. Leiam! Só leiam esse romance e lembrem-se que love is love ou, em bom português, amor é amor. 

Nome: Ele 
Série: Him #1 
Autoras: Sarina Bowen e Elle Kennedy 
ISBN-13: 9788584391202 
ISBN-10: 8584391207 
Ano: 2018 
Páginas: 256 
Editora: Paralela 
Compre aqui: Amazon
Classificação: 

Sobre as autoras: 





Sarina Bowen é autora best-seller do USA Today e de romances contemporâneos e new adult. Cresceu no Vermont e, quando não está escrevendo ou lendo, gosta de esquiar, tomar café e uma boa taça de vinho. 









Elle Kennedy cresceu nos subúrbios de Toronto, Ontario, e é bacharel em Inglês pela Universidade de York. Desde cedo, ela sabia que queria ser uma escritora, e começou a perseguir ativamente esse sonho, quando ela era adolescente.

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